Sua chegada ao Catete não foi exemplar nem democrática. Seus governos certamente se utilizaram de meios pouco recomendáveis. Mas, se algum brasileiro trilhou com garbo e sucesso a trajetória para tornar-se um mito, esse alguém chamou-se Getúlio Dornelles Vargas. Talvez com a única pretensão de causar impacto, Vargas imortalizou-se com uma das frases mais memoráveis da História do Brasil: “Deixo a vida para entrar na história.” Certamente o encerramento do último discurso de Vargas, jamais proferido, não precisa significar somente que ele optou pela morte para acessar a eternidade na memória do País. Nossa interpretação desta frase leva a uma outra reflexão: a morte de Vargas foi, de fato, só uma passagem: do mundo dos vivos para o mundo das lendas.
Um dos momentos mais desafiadores e significativos dos governos de Getúlio Vargas foi o ano de 1932. Nas salas de aula é bastante comum conhecer a Revolução Constitucionalista sob a ótica de uma horda de paulistas defendendo a honra e a lei no país, a possibilidade de levar o Brasil de volta ao caminho da ordem e da democracia. Simular o Gabinete do Governo Provisório é uma oportunidade ímpar de trocar os óculos e assistir a História sentado em outra fileira: a dos governantes da República. Para esses, o dever era outro: manter a unidade nacional, defender a pátria dos revolucionários, mediar a política do país de forma que a união defendida pelos imperadores do passado não precisasse desmantelar-se. A simulação, no interior do gabinete de Vargas, promete ser um giro de 180º na compreensão desse período da História.
A promessa vale o esforço e a coragem.